Em 2016…

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Que eu sempre gostei de ler nunca foi segredo para ninguém. Em 2015, inspirada por vários blogs e canais da internet, resolvi começar um novo projeto: um diário de leitura. Quem me dera eu tivesse acesso a esses blogs e canais quando comecei a me interessar pela leitura, posso apenas imaginar o acervo de anotações que eu teria hoje.

Bom, antes tarde do que nunca, e agora que comecei não pretendo mais parar. O diário não serve como fonte de resenhas ou informações de leitura para ninguém, tanto que parei de publicá-lo no blog, mas serve como guardião de memórias para mim. E, quem sabe um dia, servirá para que meus filhos possam compartilhar impressões de leituras com a mãe deles, que talvez já não consiga se lembrar de muitos detalhes na hora de conversar com eles.

Com o diário, veio a vontade de variar as leituras, de reler livros queridos de infância, de dar uma chance aos clássicos, mesmo os mais “assustadores”, mas sem perder de vista as leituras leves e divertidas que também me atraem bastante. Desde então, foram vários livros curtos, alguns livros longos, uma ou duas séries, uma ou outra trilogia. Tive a oportunidade de ler alguns livros mais densos, daqueles que dão trabalho durante, e às vezes depois, da leitura. Mas li também muitos livros tranquilos, sem nada além daquilo que prometiam em seus títulos.

Em 2016, por exemplo, foram muitas e variadas leituras:  livros clássicos e contemporâneos, suspenses, romances, livros de ficção científica, um livro infantil, livros de contos, policiais e até livro de terror. Comecei o ano resolvendo crimes com Conan Doyle, me apaixonei por Garcia Márquez e Vargas Llosa, conheci Ítalo Calvino e me rendi a um clássico de Machado de Assis. Tive um relacionamento não muito fácil Clarice Lispector, me encantei com John Willians e dei uma chance a Poe. Viajei de avião com Saint-Exupéry, sofri de amnésia com S.J. Watson e combati crimes em um futuro distante com Nora Roberts. Dei boas risadas com Sophie Kinsella e Jill Kargman, fiquei encantada com a amizade entre cachorro e a pulga de Zélia Brandão e conheci o beatlemaníaco de Sérgio Couto. Perdi o preconceito com Ian McEwan, descobri que a Jout Jout do livro é tão divertida quanto a dos vídeos e tentei, mas não consegui, gostar de Haruki Murakami. Aprendi sobre empatia com Harper Lee, tentei entender alguma coisa de Camus, não consegui me interessar por Paul Auster e fiquei triste por ter que deixar o Stieg Larsson ir depois de três livros. Achei Adelaide Carraro datada e exagerada, Lucilla Guedes me fez pensar em comédias românticas da sessão da tarde e Neil Gaiman mostrou que a releitura de contos de fadas pode render uma ótima história. Vivi um grande amor com Cecelia Ahern, Aldous Huxley me deixou pensativa e Kazuo Ishiguro me deixou confusa. Não vi muito sentido na história de David Mitchell, mas vi todo o sentido nas várias histórias de Colum McCann.*

Resumindo o parágrafo anterior, o ano que passou foi um bom ano de leituras. Algumas vão deixar saudades, outras, nem tanto. E aí entra o diário outra vez: basta reler o que escrevi para viver de novo aquele gostinho do momento da leitura.

Espero que em 2017 eu consiga manter a variedade e a qualidade das experiências de leitura –  mesmo que alguns dos livros lidos sejam considerados de qualidade duvidosa por alguns.  E acho que posso dizer que comecei bem: Vargas Llosa na estreia, Douglas Adams na sequência. Que esse seja o início de um ótimo ano de leituras.

*A lista completa dos livros lidos em 2016 está disponível aqui.

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Guia prático dos pais, Suzy Camacho

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  • Início: 16/11/2015
  • Fim: 21/11/2015
  • Tempo de leitura: 6 dias
  • Diários de leitura (04): 155, 158, 159 e 160.

O livro Guia prático dos pais, da Suzy Camacho, foi um empréstimo que fiz com a Valquíria, junto com o Limites sem trauma, da Tania Zagury (o último livro lido antes do início do meu diário de leitura). Emprestei no meio do ano, peguei para ler apenas em novembro. Pois é, antes os livros emprestados faziam aniversário aqui em casa, agora a política é “emprestar, ler, devolver”, rs.

O livro teria ficado mais tempo na espera, mas em um dos meus dias de desespero com o filho que não come nada, lembrei do dele e imaginei se ele teria alguma dica para me ajudar. E tinha. Comecei, portanto, pelo capítulo “crianças que não comem” buscando encontrar uma fórmula mágica para dar um jeito no Otávio.  Infelizmente o livro contém apenas as mesmas dicas de sempre, aquelas que eu já tentei um milhão de vezes. Ainda assim continuei a leitura com os capítulos sobre birra e brincadeiras, que me trouxeram algumas ideias para colocar em prática.

A leitura foi rápida e, em alguns pontos, bastante útil. Anotei algumas dicas e frases que acho importante manter por perto. A autora faz alguns comentários que considerei preconceituosos, mas resolvi relevar e pensar no conjunto da obra 🙂

“Pais que oferecem livros de presente a seus filhos demonstram a importância do hábito da leitura.”

“[…] não recrimine ou desmotive os impulsos da criança para o saber.”

“[…] esteja disponível na qualidade da atenção oferecida a seu filho na infância.”

“As atitudes dos pais serão modelos a serem utilizados pelos filhos.”

“A criança que cresce num ambiente de diálogo e respeito às opiniões dos membros da família, também exercitará o mesmo comportamento em sociedade.”

“A maneira mais eficiente de educar é dar o exemplo.”

“Seja como for, sempre execute as promessas preestabelecidas. Nunca falte à sua palavra. Isso pode deixar a criança insegura e agressiva.”

“A criança ao nascer não possui o conceito de medo. Esse parâmetro de perigo é formado pelos pais que transmitem suas experiências aos filhos descrevendo a eles o que é perigoso e o que vem a ser seguro. Nossos conceitos são muito variáveis de acordo com as experiências vividas. Portanto, muito cuidado com o que se diz diante da criança.”

“Policie-se observando o que diz diante da criança.”

“O elogio é mais eficaz que a crítica.”

“Aprenda a identificar quais atitudes foram responsáveis pelo resultado insatisfatório em sua vida.”

“A cada dia há um universo rico de experiências a serem transformadas em lições para melhoras a nossa vida.”

“Para a criança, é melhor ser notada mesmo com raiva pelos pais do que passar despercebida.”

“Sempre que possível, dê atenção ao seu filho quando ele lhe requisitar, para não ter de fazê-lo coagido(a).”

“Não deixe de elogiá-lo cada vez que apresentar um progresso, pois assim você estará demonstrando que está acompanhando com atenção todo o seu comportamento positivo, incentivando-o a mantê-lo.”

“Como é encantador observar uma criança brincar, dê essa oportunidade a si mesmo.”

“O fundamental não é quantidade de tempo que se dedica a uma criança, mas a qualidade desse tempo.”

Histórias e conversas de mulher, Mary del Priore

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  • Início: 15/11/2015
  • Fim: 05/12/2015
  • Tempo de leitura: 21 dias
  • Diários de leitura: 154, 155, 165, 166, 167, 168, 169, 170, 172 e 174.

Confesso: comprei o livro Histórias e conversas de mulher pela capa. Mas não foi uma compra totalmente às cegas, já conhecia a autora e já sabia que seriam grandes as chances de eu gostar da leitura. Eu estava certa.

Nas primeiras páginas achei um pouco confuso, parecia que a autora escrevia sem uma linha temporal bem definida, o que me deu a sensação de estar “perdida no tempo”. Não sei se a escrita mudou ou se a sensação passou apenas, sei que no final já estava envolvida com a leitura.

Achei que o livro tem um equilíbrio bom entre informar e entreter, aprendi bastante sobre nossa história e o papel da mulher através dos tempos, e também dei algumas risadas e anotei algumas curiosidades. Como comentei em um dos diários de leitura, alguns fatos me pareciam engraçados em um primeiro momento, mas logo depois me dava conta de que eles não eram fatos de ficção e sim padrões de comportamento aceitáveis em determinadas épocas. Isso me fez refletir sobre como nossas “verdades” mudam muito através dos tempos.

Gostei bastante dos capítulos que falaram sobre a relação da mulher com o seu corpo e sobre como os padrões de beleza de cada época afetam essa relação. Imaginamos-nos tão distantes daquelas “mulheres oprimidas de antigamente” que mal nos damos conta de algumas continuidades importantes.

Por fim, recomendo a leitura e deixo aqui trechos que transcrevi para o diário de leitura.

“Muitas mulheres se casam esperando que o amor lhes traga felicidade. Mas felicidade não é outorgada a ninguém em bandeja de prata, prevenia Carmen da Silva. O mundo não é um mar de rosas, nem um campo de batalha, mas uma planície onde cada um há de construir o edifício de suas aspirações. […]”.

“[…] perder um bem é fatal para quem o recebeu como dádiva, mas quem o construiu por seus próprios meios sabe que pode repetir a proeza, se as circunstâncias assim o exigirem.”

“O marido traído que matasse a adúltera não sofria qualquer punição. Diziam as Ordenações Filipinas: “Achando o homem casado sua mulher em adultério, licitamente poderá matar assim a ela, como o adúltero, salvo se o marido for peão, e o adúltero, fidalgo, desembargador, ou pessoa de maior qualidade”. Assim, enquanto a condição social do parceiro do adultério era levada em conta, à condição social da adúltera não se revestia da menor importância. Tanto podia ser morta pelo marido a plebeia como a nobre.”

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Perto do coração selvagem, Clarice Lispector

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•    Início: 30/10/2015
•    Fim: 10/11/2015
•    Tempo de leitura: 12 dias
•    Diários de leitura: 138, 139, 140, 142, 145, 146, 147, 148 e 149.

Esbarrei, em algum dia de outubro, no blog Leia Ana, Leia, que eu curti bastante. A Ana, autora do blog, estava iniciando um projeto de leitura das obras de Clarice que eu achei bem legal e me convidei para participar.

O primeiro livro do desafio foi Perto do coração selvagem, também primeiro livro da Clarice Lispector. Comecei a leitura no final de outubro, e concluí no dia 10 de novembro. Normalmente, um livro curto como este levaria menos tempo para ser lido, mas não se deixem enganar: curtos os livros de Clarice podem até ser, mas são também de uma densidade que dá trabalho na leitura.

Quem acompanhou os diários de leitura sabe (e quem não acompanhou fica sabendo agora) que tive bastante dificuldade com a leitura: não foram poucas as vezes em que tive que voltar alguns parágrafos e ler tudo de novo para entender alguma coisa. E ainda assim não sei se posso dizer que compreendi 100% do livro, ou que vivi exatamente a experiência que se esperaria viver com ele.

Confesso que tenho a esperança de que até o final do projeto Lendo Clarice eu esteja melhor nesse sentido. Aí, quem sabe, começo tudo outra vez e, com mais experiência de vida compartilhada com a autora, o resultado pode ser melhor 🙂

Mas, voltando a Perto do coração selvagem, vamos ao que consegui absorver. A narrativa nos faz acompanhar a vida de Joana, de sua infância à vida adulta, passando por momentos de sua relação com o pai, os familiares e o marido. E mais, passamos por esses momentos junto com a própria Joana, já que o livro segue o padrão Clarice de fluxo de consciência: narrativa introspectiva, com poucos diálogos, alguns flashbacks e muito do que se passa na cabeça da personagem, seus medos, suas indagações, seus sentimentos e pensamentos.

A Joana dos flashbacks de infância é uma criança como qualquer outra: curiosa, questionadora, carente de atenção. Órfã de mãe, procura constantemente chamar a atenção do pai com suas perguntas que parecem desprovidas de sentido para um adulto, mas que fazem parte do universo infantil.

A Joana adolescente está descobrindo as sensações do corpo e da alma em contato com o mundo à sua volta. Causa estranhamento nas pessoas com as quais convive, principalmente na tia com quem mora desde que perdeu o pai.

A Joana da vida adulta continua inquieta, a sensação é de que ela não conseguiu adaptar-se à vida adulta. Ela questiona seu lugar no mundo, sua relação com as pessoas, a solidez de seus sentimentos. Parece estar em busca da felicidade, mas sem saber ao certo o que seria essa felicidade. Relaciona-se com o marido sem entregar-se de verdade. Otávio, o marido, tem também seu momento de narrador e percebemos que sua relação com Joana tem muito de força gravitacional e pouco de racionalidade. Tanto que os dois se entregam a outros na tentativa de manter contato com uma vida normal.

Pois bem, não sei se o que escrevi aí em cima significa que entendi alguma coisa ou que não entendi nada. Mas foi o que eu consegui “pegar” na narrativa. Quem aí já leu pode me ajudar a descobrir 🙂

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A elegância do ouriço, Muriel Barbery

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  • Início: 23/10/2015
  • Fim: 02/11/2015
  • Tempo de leitura: 11 dias
  • Diários de leitura: 131, 138, 139, 140 e 141.

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Metas de leitura para 2016

Em 2006, no falecido blog Profissão Leitor, fiz um post com minha meta de leitura para o segundo semestre (estávamos em agosto). Eram 15 livros e eu não li nenhum naquele ano.

Em 2012 comecei a estabelecer metas para tudo: dieta, estudos, casa e claro, leituras. Como meta de leitura retomei aquela lista de 2006, mas fiz alguns cortes. Dos 12 livros que sobraram, li apenas O guia do mochileiro das galáxias.

Em 2014, inspirada pelo retorno do blog às origens literárias, fiz mais uma lista com 12 livros. Li dois: Casa de bonecas, do Ibsen e As brumas de Avalon, da Marion Zimmer Bradley.

Pelo histórico podemos perceber que não sou muito boa com essa coisa de cumprir lista de leituras. Por essa razão, para 2016 minha meta literária será simples: ler. Não ler este ou aquele livro, nem ler 20, 30 ou 50 livros no ano. Apenas LER.

Para me ajudar a escolher na hora de começar livro novo tenho as listas dos meus projetos literários e a lista de livros que me chamaram a atenção depois de assistir ou ler algum comentário nos canais e blogs que eu sigo.

Como meta adicional, manter meu diário de leitura atualizado e fazer posts comentando os livros lidos.

E por hoje é só pessoal 🙂

Maratona Agatha Christie

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Um post só para seis livros pode? Bom, se forem todos da mesma autora e todos bem curtinhos, acho que pode. Post, portanto, para falar dos livros da Agatha Christie lidos no mês de outubro.

Minha primeira leitura de AC foi feita na adolescência, com um livro emprestado por uma colega da escola: O caso dos dez negrinhos (que descobri ao procurar que hoje mudou de nome para E não sobrou nenhum). Apesar de lembrar pouca coisa da história, lembro de ter gostado da leitura. Mas, mesmo tendo gostado, o gênero “descubra o assassino” não me encantou o suficiente para correr atrás de mais livros da autora. Bom, eu era uma adolescente na fase filosofia de O mundo de Sofia e demais livros do Jostein Gaarder, então, acho que isso explica.

Pois bem, comecei no início do mês de outubro um projeto – meio sem saber que seria um projeto – de ler todos os livros da AC que estavam na estante. Gostei bastante da leitura fluida dos livros e dos mistérios a serem resolvidos. O melhor de todos? O assassinato de Roger Ackroyd. O mais sem graça? Cem gramas de centeio.

O segredo de Chimneys

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  • Início: 01/10/15
  • Fim: 05/10/15
  • Tempo de leitura: 5 dias
  • Diários de leitura: 109, 110, 111, 112 e 113

Primeiro dos livros da Agatha Christie lidos na vida adulta. Como comentei nos diários de leitura, o livro me lembrou As minas do rei Salomão, embora até hoje eu não saiba direito explicar o porquê. O personagem principal, Anthony Cade, não me passou confiança desde o princípio, mais de uma vez achei que ele estava envolvido com os crimes. Durante a leitura, mudei de ideia constantemente sobre quem seria o assassino e quais seriam os seus motivos, e confesso que não passei perto de adivinhar o final. Acho que isso é bom, certo? 🙂

Achei que a coisa toda ficou um pouco rocambolesca, e o romance de Cade e Virginia me pareceu meio fora do contexto, mas fora isso a leitura foi bastante prazerosa.

O assassinato de Roger Ackroyd

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  • Início: 07/10/15
  • Fim: 13/10/15
  • Tempo de leitura: 7 dias
  • Diários de leitura: 115, 116, 118, 119, 120 e 121

Como comentei acima, o preferido dentre os seis lidos ao longo do mês. O título já contém o primeiro spoiler: Roger Ackroyd, um rico senhor de uma cidadezinha, será assassinado. O narrador é seu amigo e médico da cidade, o primeiro a saber da morte de Ackroyd através de um telefonema anônimo.

Este foi também o primeiro livro lido em que o detetive mais famoso de Agatha Christie, Hercule Poirot, apareceu. Poirot é um personagem peculiar, com seus bigodes e seu poder de observação. Algo na linha de Sherlock Holmes mesmo. Ele enxerga coisas que o leitor deixa passar batido mas que quando reveladas por ele fazem todo o sentido.

Como comentei nos diários de leitura, AC dá algumas voltas na história que vão nos deixando confusos. Primeiro todas as pistas apontam para um culpado e aí você pensa: a autora está tentando nos enganar, se tudo aponta para essa pessoa, provavelmente não foi ela. Mas aí, logo em seguida você pensa: a não ser que ela queria que eu pense que não é essa pessoa porque seria muito óbvio quando na verdade é. Pois bem, com essas premissas, passei a maior parte do livro com os assassinos errados na cabeça. Foi só bem no final que me dei conta da verdade. Aliás, provavelmente no mesmo momento em que a maioria dos leitores, já que é o momento definido pela a autora para a descoberta. Não posso dizer muito mais sem entregar o final, que, aliás, me fez voltar no começo e pensar a história toda de forma diferente. Nota 10 🙂

Morte na praia

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  • Início: 14/10/15
  • Fim: 19/10/15
  • Tempo de leitura: 6 dias
  • Diários de leitura: 122, 123, 124, 125, 126 e 127

Comecei Morte na praia e logo desanimei, o primeiro capítulo foi bem chatinho. Não foi difícil adivinhar quem seria o assassinado, mas confesso que não consegui adivinhar o assassino (padrão até aqui né, rs).

Precisei me esforçar bastante para ler esse, a história não conseguiu me prender. Mas mantenho o que disse antes sobre a atuação de Poirot: quando ele resolve revelar o assassino, tudo parece se encaixar e fazer sentido. Acho que se voltasse a ler depois de saber o final a história não seria tão arrastada. Mas aí o final não seria uma surpresa e isso prejudicaria a leitura toda. Ou seja, não tem jeito, rs.

Um corpo na biblioteca

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  • Início: 19/10/15
  • Fim: 22/10/15
  • Tempo de leitura: 4 dias
  • Diários de leitura: 127, 128, 129 e 130

Primeiro caso de Miss Marple lido e de cara já não curti muito. Apesar disso, o que segura em um livro como esse é a vontade de saber quem matou e porque matou, independente de gostar muito ou pouco do andamento da coisa.

Aqui o crime acontece um uma mansão de uma cidadezinha pequena, onde cometer um crime e encobri-lo não deveria ser tão fácil. Bom, não foi, já que bastou uma senhorinha de curiosidade aguçada para resolver tudo. Como comentei no diário de leitura, descobri o assassino no final, mas fiquei sem saber o destino dos outros personagens, e isso me incomodou um pouco.

Bom, como deu para perceber, esse não foi um dos meus favoritos.

Cem gramas de centeio

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  • Início: 23/10/15
  • Fim: 26/10/15
  • Tempo de leitura: 4 dias
  • Diários de leitura: 131, 132, 133 e 134

Como comentei antes, o que menos gostei de todos. Mais um caso de Miss Marple. Ou seja, definitivamente não curti a segunda detetive mais famosa de AC, fico com o primeiro. Na verdade, nesse caso, achei ela meio intrometida, já que veio sem ninguém pedir. Depois ficamos sabendo que uma das vítimas pediu, mas Miss Marple não sabia disso quando resolveu meter o bedelho no crime.

Acho que a história ficou com vários furos, tanto que dessa vez adivinhei um dos assassinos, embora tenha errado o parceiro.

Cai o pano

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  • Início: 27/10/15
  • Fim: 29/10/15
  • Tempo de leitura: 3 dias
  • Diários de leitura: 135, 136 e 137

Oba, Poirot de volta! Curti bastante esse último livro, mas demorei a me acostumar com o Hastings como narrador.

O último caso de Poirot tem mais de um mistério: temos que adivinhar não apenas o assassino, mas também quem serão as vítimas. Demorei pouco para ler, a história é empolgante e dá aquela vontade de ler “só mais um pouquinho” até chegarmos ao final. Fiquei sem entender a última e mais importante morte, mas não deixei de gostar do livro por essa razão.

Recomento 100%. Mas recomendo a leitura de outros casos de Poirot antes, principalmente o primeiro (que eu não li), já que este é o último 🙂

O símbolo perdido, Dan Brown

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  • Início: 09/09/2015
  • Fim: 30/09/2015
  • Tempo de leitura: 22 dias
  • Diários de leitura: 87, 88, 89, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 100, 101, 102, 106, 107 e 108

O símbolo perdido foi o quarto livro do Dan Brown que eu li. Para alguém que diz não gostar muito dos livros dele, até que eu li bastante. Bom, a vantagem de ler os livros dele foi ressaltada mais de uma vez nos diários de leitura: é fácil e rápido de ler, não requer nenhum esforço intelectual além do nível básico de alfabetização. Mesmo assim a leitura demorou bastante, como vocês podem perceber pelos dados acima. A culpa, nesse caso, foi um pouco do tempo escasso para a leitura e muito da falta de empolgação com o livro. Não achei ruim como Fortaleza Digital, a história até que tem um ou dois encantos. Mas o livro não causa aquela sensação de “não posso parar de ler”.

Algumas passagens atrapalharam – e muito – a manutenção do acordo ficcional com o livro: a CIA trata Langdon de forma condescendente, os personagens são mais ingênuos que personagens de filmes de terror prestes a morrer, caem em todas as armadilhas do bandido, e escapam de todas elas de forma absurda. Achei que o bandido se revelou cedo demais na história, poderíamos ter um pouco mais de mistério. O final não fugiu da previsibilidade: solução do mistério com algumas revelações feitas e algumas informações escondidas.

Como comentei também em diário de leitura, enquanto lia passava o filme todo, com Tom Hanks, claro, na minha cabeça. Acho que esse é o tipo de livro com potencial para virar um bom filme, no fim ele tem mais perfil de roteiro de Hollywood que de boa leitura.

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Serena, Ian McEwan

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  • Início: 03/08/2015
  • Fim: 26/08/2015
  • Tempo de leitura: 24 dias
  • Diários de leitura: 50, 51, 54, 56, 58, 59, 61, 63, 66, 70, 71, 72 e 73

Como comentei no diário de leitura 50, Serena foi meu primeiro Ian McEwan lido. Quem acompanhou os diários de leitura do livro já sabe: a leitura foi arrastada e eu não estava gostando muito do livro, mas tudo mudou no final. Mudou porque o último capítulo me fez repensar todo o livro e achei essa ideia muito boa.

O anúncio do livro o traz como um romance de espionagem, mas se você espera algo no estilo dos filmes de James Bond, pode esquecer. O ritmo do livro não tem nada parecido com livros de ação. Como comentei antes, ele é arrastado e passamos muitas páginas sem que nada aconteça. Até a metade do livro, a sensação é de que não aconteceu nada de relevante na história. Mesmo depois de algumas páginas do envolvimento de Serena com Tom Haley, continuamos achando que nada aconteceu. Aliás, eu, particularmente, acho que só aconteceu alguma coisa mesmo quase no final.

Bom, o resumo da história é: Serena, uma moça sem sal formada em matemática, mas apaixonada por literatura, envolve-se com um homem mais velho e acaba, influenciada por ele, arranjando um emprego no MI5, o serviço de segurança britânico. Seu papel no MI5 é como o de todas as outras mulheres de seu tempo: ela atua como secretária, catalogando e arquivando papéis. Sua fama de leitora ávida de romances lhe rende uma oportunidade: é chamada a participar de um projeto secreto, denominado Tentação, que tem como objetivo financiar autores nacionais com tendências anticomunistas. Detalhe, os autores financiados não podem saber de nada, devem escrever achando que tem total liberdade para manifestar suas opiniões políticas. Serena aceita o desafio, mas acaba apaixonando-se por “seu autor”. Os dois iniciam um romance e o peso do segredo de Serena fica pairando no ar. No fim, as coisas não dão muito certo: Haley acaba por escrever um romance que não atende aos desejos do MI5, mas que recebe um prêmio importante de literatura e sua fama repentina acaba trazendo à tona seu caso com Serena e o papel dela no serviço de segurança. Serena fica desesperada, já que ela não havia contato nada ao namorado. E é aí que temos a reviravolta do final, aquela que me fez voltar no tempo e repensar a história.

A personagem de Serena é difícil de desvendar. Comigo, pelo menos, não rolou empatia. Em alguns momentos a vontade era de dar uma chacoalhada nela para tirá-la do estado de apatia de sua vida. Aliás, ainda hoje não decidi se gostei ou não dela. De Tom não gostei muito no começo, mas acabei mudando de opinião no final.

Sei que o post está parecendo meio confuso, mas acho que isso é reflexo do meu sentimento em relação ao livro. Como eu disse, gostei do final e da visão que ele me fez ter sobre o livro, mas a leitura foi arrastada, demorada, entediante. Se eu fosse relê-lo agora, seria com outros olhos e isso talvez ajudasse a melhorar o processo de leitura. Mas aí o final já não teria mais o impacto que teve e isso não mudaria a minha impressão de leitura. Resumindo: não sei se recomendo a leitura ou não, dessa vez acho melhor deixar por conta e risco de cada um.

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Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto

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  • Início: 10/08/2015
  • Fim: 22/08/2015
  • Tempo de leitura: 13 dias
  • Diários de leitura: 57, 59, 60, 61, 62, 65, 68 e 69

Triste fim de Policarpo Quaresma foi lido como parte do desafio 100 livros de literatura brasileira. Não, ele não foi um dos livros de releitura. Sim, isso quer dizer que cheguei aos 32 anos sem ter conhecido Quaresma. Bom, ainda bem que tenho o projeto para reparar as “falhas de leitura” da vida né? 🙂

Ops, tem spoiler por aqui…

O básico da história eu já conhecia, mesmo sem ter lido: Policarpo é um patriota ao extremo que procura valorizar sempre o que é nacional, desprezando o que vem de fora. Tem amor pelos livros, mas sua biblioteca é composta apenas de autores nacionais. Aprecia a música, e decide, logo de início, aprender a tocar violão, a modinha genuinamente brasileira. Seus vizinhos e conhecidos o acham estranho, mas de uma estranheza inofensiva.

O problema começa quando, depois de muito dedicar-se aos estudos do tupi-guarani, a língua verdadeiramente brasileira, escreve um ofício ao ministro sugerindo que essa passe a ser a língua oficial do país. Considerado louco, acaba internado em um hospício, aonde recebe a visita apenas do compadre e da afilhada.

Ao sair do hospício, resolve seguir o conselho da afilhada e mudar-se para um lugar afastado. Compra um sítio ao que dá o nome de O sossego e muda-se para lá com a irmã. No sítio, dá vazão a sua nova empreitada patriótica: estudar botânica e aplicar seus conhecimentos em suas terras, vivendo apenas do que pode produzir. Enfrenta alguns “inimigos” nesse contexto: os políticos do povoado, que não se conformam com sua recusa a tomar parte na política e colocam vários obstáculos que o impedem de vender o que produz, e as formigas, que insistem em atacar sua produção e até sua despensa.

A terceira e última parte do livro traz Policarpo de volta à cidade para tomar parte na Revolta da Armada, ao lado do Marechal Floriano Peixoto, então presidente. Não há muito que fazer, mas Policarpo logo se convence da importância de sua atuação. Finda a revolta, acaba presenciando os exageros de punição cometidos contra os revoltosos e, em sua ingenuidade, sente-se no dever de alertar o ‘bom presidente’. Acaba preso sem entender bem o porquê e, sozinho, lamenta seu triste fim.

Policarpo foi uma leitura tranquila, mas não tão prazerosa como teria sido se fosse feita na adolescência, na fase em que livros de literatura brasileira escritos no final do império e início da república eram minhas leituras favoritas. Talvez fosse mais bem aproveitada, também, se feita dentro de um contexto educacional, em uma aula de literatura com acompanhamento do professor. Mas, como não posso voltar à adolescência e não pretendo frequentar nenhuma aula tão cedo, ficaremos com as minhas impressões de leitura leigas e feitas fora do tempo mesmo 🙂

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