Monthly Archives: September 2015

Alta Fidelidade, Nick Hornby

Alta-Fidelidade-Nick-Hornby

  • Início: 15/07/2015
  • Fim: 22/07/2015
  • Tempo de leitura: 08 dias
  • Diários de leitura: 31, 33, 36 e 37.

Gente, socorro! Deixei passar muito tempo da leitura e agora estou lutando com a memória, rs.

Lembro pouco dos detalhes, mas em linhas gerais a coisa é mais ou menos assim: Rob, 30 e poucos anos, dono de uma loja de discos e de uma imaturidade mestra, acaba de levar um fora da namorada Laura. Enquanto curte a fossa, resolve fazer uma lista dos cinco piores foras levados por ele. Laura não está entre as cinco.

A primeira parte do livro contém as narrativas dos cinco foras, a maioria deles levados ainda na adolescência. Bom, eu fui adolescente, mas não fui um menino adolescente. Entrar na cabeça de um homem adulto descrevendo seus dilemas adolescentes foi interessante. Reflexões bobas e um pouco machistas, mas que deixam transparecer mais sobre o personagem que nos conta a história.

Na segunda parte nos deparamos com o presente: o Rob que acaba de levar o fora da namorada e está sem entender muito bem o que aconteceu. O cara é um babaca e ele mesmo não esconde isso de ninguém. Está preocupado em voltar com a Laura, mas está também preocupado em dormir com a Marie. Em outros momentos não quer mais a Laura, mas também não quer que ela queira mais ninguém. Sente que sua vida  – profissional e pessoal – está estagnada, mas não parece muito disposto a fazer algo para mudar. Sabe que dentro dos padrões da sociedade, está muito “atrasado” para a idade: não tem uma vida financeira estável, um relacionamento adulto, filhos…

Em um determinado momento, Rob começa a repensar sua vida e decide ir atrás das namoradas dos cinco foras para saber o que faz dele um fracasso quando se trata de relacionamentos. Com um senso de humor autodepreciativo, a narrativa nos revela a busca de Rob por um significado na vida.

Não vou contar aqui detalhes dessa busca, mas vou contar (olha o spoiler) que ela acaba levando a algum lugar. Rob, apesar dos pesares, acaba amadurecendo e se tornando menos infantilizado ao final do livro. Não perde sua essência, mas demonstra que é capaz de viver como um adulto boa parte do tempo (embora não o tempo todo).

Dei algumas risadas com o livro, fiquei com muita raiva do Rob em alguns momentos e passei o livro todo sem simpatizar com a Laura. Entendi a função dela no livro e na vida de Rob, mas achei ela uma chata de galochas.

Depois de terminar o livro, fui correndo assistir ao filme. Não achei o filme ruim, mas também não achei muito bom. Recomendo, portanto, apenas a leitura 🙂

“O que veio primeiro, a música ou a dor? Eu ouvia a música porque estava infeliz? Ou estava infeliz porque ouvia a música? Estes discos todos transformaram você numa pessoa melancólica? As pessoas se preocupam com o fato das crianças brincarem com armas e dos adolescentes assistirem a vídeos violentos; temos medo de que assimilem um certo tipo de culto à violência . Ninguém se preocupa com o fato das crianças ouvirem milhares – literalmente milhares – de canções sobre amores perdidos e rejeição e dor e infelicidade e perda.”

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Feliz Aniversário

Hoje é um dia pra lá de especial. É dia de comemorar meu aniversário como mãe, o aniversário do Felipe como pai, o aniversário dos meus pais e meus sogros como avós, o aniversário da minha irmã e da minha cunhada como tias. Ou seja, dia de comemorar o aniversário da pessoinha especial que nos tornou tudo isso.

Há dois anos minha vida mudou para sempre. Sim, é uma frase piegas e batida, mas é a mais pura verdade. Há dois anos meu coração bate fora do peito. Eu sofro a cada tombo, a cada tosse, a cada febre. Eu vibro de felicidade a cada novo aprendizado: primeiros passos, primeiras palavras, primeiras descobertas. Eu amo todos os dias de um jeito que parece que vai fazer explodir o peito.

Feliz aniversário filho! Que você tenha uma vida repleta de felicidade e amor 🙂

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O fio da vida, Kate Atkinson

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  • Início: 28/08/2015
  • Fim: 02/09/2015
  • Tempo de leitura: 06 dias
  • Diários de leitura: 74, 75, 76, 77, 78, 79 e 80

Resolvi escrever sobre O fio da vida enquanto ele ainda está fresco na memória. Começo repetindo o que já disse no diário de leitura: o livro não me pegou logo de cara, demorou um pouco para eu chegar na fase “não quero parar de ler”.  Mas depois que cheguei, realmente não queria mais parar, rs. Bom que estar de férias ajudou e eu não precisei de muitos dias para chegar ao fim.

O enredo nos leva a acompanhar a vida da protagonista Úrsula, sua família e amigos, ao longo das quatro primeiras décadas do século XX. Úrsula nasce em uma noite de muita neve em 1910 e morre no mesmo dia. Úrsula nasce em uma noite de muita neve em 1910 e morre afogada em 1914. Úrsula nasce em uma noite de muita neve em 1910 e morre de gripe em 1918. E por aí vai… Acompanhamos os vários nascimentos da protagonista e muitas de suas mortes. A cada novo nascimento, detalhes são mudados e fazem toda a diferença. Úrsula passa por duas guerras mundiais, embora muito pequena para lembrar algo da primeira. Vive o drama da segunda guerra na Inglaterra, morre algumas vezes e depois envolve-se com salvamento de vítimas de bombardeios. Vive também o drama da guerra no lado alemão em uma de suas vidas – a vida com o final mais triste de todos (minha opinião). Tem a oportunidade de mudar o curso da história, e tenta fazê-lo. Tem a oportunidade de mudar o curso da sua vida, e o faz várias vezes.

Ao longo da história desejei a morte de Úrsula várias vezes. A vida dela vai tão mal em alguns momentos que me pegava pensando:  morre e acaba logo com isso, da próxima vez vai ser melhor. Úrsula tem várias chances de mudar as coisas. Em alguma ocasiões, um dejà vu é o que salva a sua vida – ou a vida de outros.

O livro me fez pensar um pouco também. Afinal de contas, não seria maravilhoso se pudéssemos voltar atrás e começar tudo de novo? Sem erros, só acertos? Sem desgraças, só felicidade? Mas também me fez pensar em como as nossas escolhas nos trazem todas as coisas, boas e ruins. A vida de Úrsula na Alemanha tem uma das piores versões, mas tem também uma coisa maravilhosa. Quando ela morre para começar tudo de novo, se livra de tudo de ruim que aconteceu por lá. Mas perde também a coisa boa. Se pudéssemos escolher uma versão das nossas vidas melhor em muitos aspectos, mas sem um elemento que nos é fundamental hoje, será que escolheríamos? Não sei responder, só achei interessante deixar como reflexão final do post.

Leitura aprovada e recomendada 🙂