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Histórias e conversas de mulher, Mary del Priore

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  • Início: 15/11/2015
  • Fim: 05/12/2015
  • Tempo de leitura: 21 dias
  • Diários de leitura: 154, 155, 165, 166, 167, 168, 169, 170, 172 e 174.

Confesso: comprei o livro Histórias e conversas de mulher pela capa. Mas não foi uma compra totalmente às cegas, já conhecia a autora e já sabia que seriam grandes as chances de eu gostar da leitura. Eu estava certa.

Nas primeiras páginas achei um pouco confuso, parecia que a autora escrevia sem uma linha temporal bem definida, o que me deu a sensação de estar “perdida no tempo”. Não sei se a escrita mudou ou se a sensação passou apenas, sei que no final já estava envolvida com a leitura.

Achei que o livro tem um equilíbrio bom entre informar e entreter, aprendi bastante sobre nossa história e o papel da mulher através dos tempos, e também dei algumas risadas e anotei algumas curiosidades. Como comentei em um dos diários de leitura, alguns fatos me pareciam engraçados em um primeiro momento, mas logo depois me dava conta de que eles não eram fatos de ficção e sim padrões de comportamento aceitáveis em determinadas épocas. Isso me fez refletir sobre como nossas “verdades” mudam muito através dos tempos.

Gostei bastante dos capítulos que falaram sobre a relação da mulher com o seu corpo e sobre como os padrões de beleza de cada época afetam essa relação. Imaginamos-nos tão distantes daquelas “mulheres oprimidas de antigamente” que mal nos damos conta de algumas continuidades importantes.

Por fim, recomendo a leitura e deixo aqui trechos que transcrevi para o diário de leitura.

“Muitas mulheres se casam esperando que o amor lhes traga felicidade. Mas felicidade não é outorgada a ninguém em bandeja de prata, prevenia Carmen da Silva. O mundo não é um mar de rosas, nem um campo de batalha, mas uma planície onde cada um há de construir o edifício de suas aspirações. […]”.

“[…] perder um bem é fatal para quem o recebeu como dádiva, mas quem o construiu por seus próprios meios sabe que pode repetir a proeza, se as circunstâncias assim o exigirem.”

“O marido traído que matasse a adúltera não sofria qualquer punição. Diziam as Ordenações Filipinas: “Achando o homem casado sua mulher em adultério, licitamente poderá matar assim a ela, como o adúltero, salvo se o marido for peão, e o adúltero, fidalgo, desembargador, ou pessoa de maior qualidade”. Assim, enquanto a condição social do parceiro do adultério era levada em conta, à condição social da adúltera não se revestia da menor importância. Tanto podia ser morta pelo marido a plebeia como a nobre.”

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