Category Archives: livros comentados

Guia prático dos pais, Suzy Camacho

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  • Início: 16/11/2015
  • Fim: 21/11/2015
  • Tempo de leitura: 6 dias
  • Diários de leitura (04): 155, 158, 159 e 160.

O livro Guia prático dos pais, da Suzy Camacho, foi um empréstimo que fiz com a Valquíria, junto com o Limites sem trauma, da Tania Zagury (o último livro lido antes do início do meu diário de leitura). Emprestei no meio do ano, peguei para ler apenas em novembro. Pois é, antes os livros emprestados faziam aniversário aqui em casa, agora a política é “emprestar, ler, devolver”, rs.

O livro teria ficado mais tempo na espera, mas em um dos meus dias de desespero com o filho que não come nada, lembrei do dele e imaginei se ele teria alguma dica para me ajudar. E tinha. Comecei, portanto, pelo capítulo “crianças que não comem” buscando encontrar uma fórmula mágica para dar um jeito no Otávio.  Infelizmente o livro contém apenas as mesmas dicas de sempre, aquelas que eu já tentei um milhão de vezes. Ainda assim continuei a leitura com os capítulos sobre birra e brincadeiras, que me trouxeram algumas ideias para colocar em prática.

A leitura foi rápida e, em alguns pontos, bastante útil. Anotei algumas dicas e frases que acho importante manter por perto. A autora faz alguns comentários que considerei preconceituosos, mas resolvi relevar e pensar no conjunto da obra 🙂

“Pais que oferecem livros de presente a seus filhos demonstram a importância do hábito da leitura.”

“[…] não recrimine ou desmotive os impulsos da criança para o saber.”

“[…] esteja disponível na qualidade da atenção oferecida a seu filho na infância.”

“As atitudes dos pais serão modelos a serem utilizados pelos filhos.”

“A criança que cresce num ambiente de diálogo e respeito às opiniões dos membros da família, também exercitará o mesmo comportamento em sociedade.”

“A maneira mais eficiente de educar é dar o exemplo.”

“Seja como for, sempre execute as promessas preestabelecidas. Nunca falte à sua palavra. Isso pode deixar a criança insegura e agressiva.”

“A criança ao nascer não possui o conceito de medo. Esse parâmetro de perigo é formado pelos pais que transmitem suas experiências aos filhos descrevendo a eles o que é perigoso e o que vem a ser seguro. Nossos conceitos são muito variáveis de acordo com as experiências vividas. Portanto, muito cuidado com o que se diz diante da criança.”

“Policie-se observando o que diz diante da criança.”

“O elogio é mais eficaz que a crítica.”

“Aprenda a identificar quais atitudes foram responsáveis pelo resultado insatisfatório em sua vida.”

“A cada dia há um universo rico de experiências a serem transformadas em lições para melhoras a nossa vida.”

“Para a criança, é melhor ser notada mesmo com raiva pelos pais do que passar despercebida.”

“Sempre que possível, dê atenção ao seu filho quando ele lhe requisitar, para não ter de fazê-lo coagido(a).”

“Não deixe de elogiá-lo cada vez que apresentar um progresso, pois assim você estará demonstrando que está acompanhando com atenção todo o seu comportamento positivo, incentivando-o a mantê-lo.”

“Como é encantador observar uma criança brincar, dê essa oportunidade a si mesmo.”

“O fundamental não é quantidade de tempo que se dedica a uma criança, mas a qualidade desse tempo.”

Histórias e conversas de mulher, Mary del Priore

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  • Início: 15/11/2015
  • Fim: 05/12/2015
  • Tempo de leitura: 21 dias
  • Diários de leitura: 154, 155, 165, 166, 167, 168, 169, 170, 172 e 174.

Confesso: comprei o livro Histórias e conversas de mulher pela capa. Mas não foi uma compra totalmente às cegas, já conhecia a autora e já sabia que seriam grandes as chances de eu gostar da leitura. Eu estava certa.

Nas primeiras páginas achei um pouco confuso, parecia que a autora escrevia sem uma linha temporal bem definida, o que me deu a sensação de estar “perdida no tempo”. Não sei se a escrita mudou ou se a sensação passou apenas, sei que no final já estava envolvida com a leitura.

Achei que o livro tem um equilíbrio bom entre informar e entreter, aprendi bastante sobre nossa história e o papel da mulher através dos tempos, e também dei algumas risadas e anotei algumas curiosidades. Como comentei em um dos diários de leitura, alguns fatos me pareciam engraçados em um primeiro momento, mas logo depois me dava conta de que eles não eram fatos de ficção e sim padrões de comportamento aceitáveis em determinadas épocas. Isso me fez refletir sobre como nossas “verdades” mudam muito através dos tempos.

Gostei bastante dos capítulos que falaram sobre a relação da mulher com o seu corpo e sobre como os padrões de beleza de cada época afetam essa relação. Imaginamos-nos tão distantes daquelas “mulheres oprimidas de antigamente” que mal nos damos conta de algumas continuidades importantes.

Por fim, recomendo a leitura e deixo aqui trechos que transcrevi para o diário de leitura.

“Muitas mulheres se casam esperando que o amor lhes traga felicidade. Mas felicidade não é outorgada a ninguém em bandeja de prata, prevenia Carmen da Silva. O mundo não é um mar de rosas, nem um campo de batalha, mas uma planície onde cada um há de construir o edifício de suas aspirações. […]”.

“[…] perder um bem é fatal para quem o recebeu como dádiva, mas quem o construiu por seus próprios meios sabe que pode repetir a proeza, se as circunstâncias assim o exigirem.”

“O marido traído que matasse a adúltera não sofria qualquer punição. Diziam as Ordenações Filipinas: “Achando o homem casado sua mulher em adultério, licitamente poderá matar assim a ela, como o adúltero, salvo se o marido for peão, e o adúltero, fidalgo, desembargador, ou pessoa de maior qualidade”. Assim, enquanto a condição social do parceiro do adultério era levada em conta, à condição social da adúltera não se revestia da menor importância. Tanto podia ser morta pelo marido a plebeia como a nobre.”

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Perto do coração selvagem, Clarice Lispector

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•    Início: 30/10/2015
•    Fim: 10/11/2015
•    Tempo de leitura: 12 dias
•    Diários de leitura: 138, 139, 140, 142, 145, 146, 147, 148 e 149.

Esbarrei, em algum dia de outubro, no blog Leia Ana, Leia, que eu curti bastante. A Ana, autora do blog, estava iniciando um projeto de leitura das obras de Clarice que eu achei bem legal e me convidei para participar.

O primeiro livro do desafio foi Perto do coração selvagem, também primeiro livro da Clarice Lispector. Comecei a leitura no final de outubro, e concluí no dia 10 de novembro. Normalmente, um livro curto como este levaria menos tempo para ser lido, mas não se deixem enganar: curtos os livros de Clarice podem até ser, mas são também de uma densidade que dá trabalho na leitura.

Quem acompanhou os diários de leitura sabe (e quem não acompanhou fica sabendo agora) que tive bastante dificuldade com a leitura: não foram poucas as vezes em que tive que voltar alguns parágrafos e ler tudo de novo para entender alguma coisa. E ainda assim não sei se posso dizer que compreendi 100% do livro, ou que vivi exatamente a experiência que se esperaria viver com ele.

Confesso que tenho a esperança de que até o final do projeto Lendo Clarice eu esteja melhor nesse sentido. Aí, quem sabe, começo tudo outra vez e, com mais experiência de vida compartilhada com a autora, o resultado pode ser melhor 🙂

Mas, voltando a Perto do coração selvagem, vamos ao que consegui absorver. A narrativa nos faz acompanhar a vida de Joana, de sua infância à vida adulta, passando por momentos de sua relação com o pai, os familiares e o marido. E mais, passamos por esses momentos junto com a própria Joana, já que o livro segue o padrão Clarice de fluxo de consciência: narrativa introspectiva, com poucos diálogos, alguns flashbacks e muito do que se passa na cabeça da personagem, seus medos, suas indagações, seus sentimentos e pensamentos.

A Joana dos flashbacks de infância é uma criança como qualquer outra: curiosa, questionadora, carente de atenção. Órfã de mãe, procura constantemente chamar a atenção do pai com suas perguntas que parecem desprovidas de sentido para um adulto, mas que fazem parte do universo infantil.

A Joana adolescente está descobrindo as sensações do corpo e da alma em contato com o mundo à sua volta. Causa estranhamento nas pessoas com as quais convive, principalmente na tia com quem mora desde que perdeu o pai.

A Joana da vida adulta continua inquieta, a sensação é de que ela não conseguiu adaptar-se à vida adulta. Ela questiona seu lugar no mundo, sua relação com as pessoas, a solidez de seus sentimentos. Parece estar em busca da felicidade, mas sem saber ao certo o que seria essa felicidade. Relaciona-se com o marido sem entregar-se de verdade. Otávio, o marido, tem também seu momento de narrador e percebemos que sua relação com Joana tem muito de força gravitacional e pouco de racionalidade. Tanto que os dois se entregam a outros na tentativa de manter contato com uma vida normal.

Pois bem, não sei se o que escrevi aí em cima significa que entendi alguma coisa ou que não entendi nada. Mas foi o que eu consegui “pegar” na narrativa. Quem aí já leu pode me ajudar a descobrir 🙂

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A elegância do ouriço, Muriel Barbery

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  • Início: 23/10/2015
  • Fim: 02/11/2015
  • Tempo de leitura: 11 dias
  • Diários de leitura: 131, 138, 139, 140 e 141.

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Maratona Agatha Christie

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Um post só para seis livros pode? Bom, se forem todos da mesma autora e todos bem curtinhos, acho que pode. Post, portanto, para falar dos livros da Agatha Christie lidos no mês de outubro.

Minha primeira leitura de AC foi feita na adolescência, com um livro emprestado por uma colega da escola: O caso dos dez negrinhos (que descobri ao procurar que hoje mudou de nome para E não sobrou nenhum). Apesar de lembrar pouca coisa da história, lembro de ter gostado da leitura. Mas, mesmo tendo gostado, o gênero “descubra o assassino” não me encantou o suficiente para correr atrás de mais livros da autora. Bom, eu era uma adolescente na fase filosofia de O mundo de Sofia e demais livros do Jostein Gaarder, então, acho que isso explica.

Pois bem, comecei no início do mês de outubro um projeto – meio sem saber que seria um projeto – de ler todos os livros da AC que estavam na estante. Gostei bastante da leitura fluida dos livros e dos mistérios a serem resolvidos. O melhor de todos? O assassinato de Roger Ackroyd. O mais sem graça? Cem gramas de centeio.

O segredo de Chimneys

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  • Início: 01/10/15
  • Fim: 05/10/15
  • Tempo de leitura: 5 dias
  • Diários de leitura: 109, 110, 111, 112 e 113

Primeiro dos livros da Agatha Christie lidos na vida adulta. Como comentei nos diários de leitura, o livro me lembrou As minas do rei Salomão, embora até hoje eu não saiba direito explicar o porquê. O personagem principal, Anthony Cade, não me passou confiança desde o princípio, mais de uma vez achei que ele estava envolvido com os crimes. Durante a leitura, mudei de ideia constantemente sobre quem seria o assassino e quais seriam os seus motivos, e confesso que não passei perto de adivinhar o final. Acho que isso é bom, certo? 🙂

Achei que a coisa toda ficou um pouco rocambolesca, e o romance de Cade e Virginia me pareceu meio fora do contexto, mas fora isso a leitura foi bastante prazerosa.

O assassinato de Roger Ackroyd

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  • Início: 07/10/15
  • Fim: 13/10/15
  • Tempo de leitura: 7 dias
  • Diários de leitura: 115, 116, 118, 119, 120 e 121

Como comentei acima, o preferido dentre os seis lidos ao longo do mês. O título já contém o primeiro spoiler: Roger Ackroyd, um rico senhor de uma cidadezinha, será assassinado. O narrador é seu amigo e médico da cidade, o primeiro a saber da morte de Ackroyd através de um telefonema anônimo.

Este foi também o primeiro livro lido em que o detetive mais famoso de Agatha Christie, Hercule Poirot, apareceu. Poirot é um personagem peculiar, com seus bigodes e seu poder de observação. Algo na linha de Sherlock Holmes mesmo. Ele enxerga coisas que o leitor deixa passar batido mas que quando reveladas por ele fazem todo o sentido.

Como comentei nos diários de leitura, AC dá algumas voltas na história que vão nos deixando confusos. Primeiro todas as pistas apontam para um culpado e aí você pensa: a autora está tentando nos enganar, se tudo aponta para essa pessoa, provavelmente não foi ela. Mas aí, logo em seguida você pensa: a não ser que ela queria que eu pense que não é essa pessoa porque seria muito óbvio quando na verdade é. Pois bem, com essas premissas, passei a maior parte do livro com os assassinos errados na cabeça. Foi só bem no final que me dei conta da verdade. Aliás, provavelmente no mesmo momento em que a maioria dos leitores, já que é o momento definido pela a autora para a descoberta. Não posso dizer muito mais sem entregar o final, que, aliás, me fez voltar no começo e pensar a história toda de forma diferente. Nota 10 🙂

Morte na praia

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  • Início: 14/10/15
  • Fim: 19/10/15
  • Tempo de leitura: 6 dias
  • Diários de leitura: 122, 123, 124, 125, 126 e 127

Comecei Morte na praia e logo desanimei, o primeiro capítulo foi bem chatinho. Não foi difícil adivinhar quem seria o assassinado, mas confesso que não consegui adivinhar o assassino (padrão até aqui né, rs).

Precisei me esforçar bastante para ler esse, a história não conseguiu me prender. Mas mantenho o que disse antes sobre a atuação de Poirot: quando ele resolve revelar o assassino, tudo parece se encaixar e fazer sentido. Acho que se voltasse a ler depois de saber o final a história não seria tão arrastada. Mas aí o final não seria uma surpresa e isso prejudicaria a leitura toda. Ou seja, não tem jeito, rs.

Um corpo na biblioteca

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  • Início: 19/10/15
  • Fim: 22/10/15
  • Tempo de leitura: 4 dias
  • Diários de leitura: 127, 128, 129 e 130

Primeiro caso de Miss Marple lido e de cara já não curti muito. Apesar disso, o que segura em um livro como esse é a vontade de saber quem matou e porque matou, independente de gostar muito ou pouco do andamento da coisa.

Aqui o crime acontece um uma mansão de uma cidadezinha pequena, onde cometer um crime e encobri-lo não deveria ser tão fácil. Bom, não foi, já que bastou uma senhorinha de curiosidade aguçada para resolver tudo. Como comentei no diário de leitura, descobri o assassino no final, mas fiquei sem saber o destino dos outros personagens, e isso me incomodou um pouco.

Bom, como deu para perceber, esse não foi um dos meus favoritos.

Cem gramas de centeio

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  • Início: 23/10/15
  • Fim: 26/10/15
  • Tempo de leitura: 4 dias
  • Diários de leitura: 131, 132, 133 e 134

Como comentei antes, o que menos gostei de todos. Mais um caso de Miss Marple. Ou seja, definitivamente não curti a segunda detetive mais famosa de AC, fico com o primeiro. Na verdade, nesse caso, achei ela meio intrometida, já que veio sem ninguém pedir. Depois ficamos sabendo que uma das vítimas pediu, mas Miss Marple não sabia disso quando resolveu meter o bedelho no crime.

Acho que a história ficou com vários furos, tanto que dessa vez adivinhei um dos assassinos, embora tenha errado o parceiro.

Cai o pano

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  • Início: 27/10/15
  • Fim: 29/10/15
  • Tempo de leitura: 3 dias
  • Diários de leitura: 135, 136 e 137

Oba, Poirot de volta! Curti bastante esse último livro, mas demorei a me acostumar com o Hastings como narrador.

O último caso de Poirot tem mais de um mistério: temos que adivinhar não apenas o assassino, mas também quem serão as vítimas. Demorei pouco para ler, a história é empolgante e dá aquela vontade de ler “só mais um pouquinho” até chegarmos ao final. Fiquei sem entender a última e mais importante morte, mas não deixei de gostar do livro por essa razão.

Recomento 100%. Mas recomendo a leitura de outros casos de Poirot antes, principalmente o primeiro (que eu não li), já que este é o último 🙂

O símbolo perdido, Dan Brown

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  • Início: 09/09/2015
  • Fim: 30/09/2015
  • Tempo de leitura: 22 dias
  • Diários de leitura: 87, 88, 89, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 100, 101, 102, 106, 107 e 108

O símbolo perdido foi o quarto livro do Dan Brown que eu li. Para alguém que diz não gostar muito dos livros dele, até que eu li bastante. Bom, a vantagem de ler os livros dele foi ressaltada mais de uma vez nos diários de leitura: é fácil e rápido de ler, não requer nenhum esforço intelectual além do nível básico de alfabetização. Mesmo assim a leitura demorou bastante, como vocês podem perceber pelos dados acima. A culpa, nesse caso, foi um pouco do tempo escasso para a leitura e muito da falta de empolgação com o livro. Não achei ruim como Fortaleza Digital, a história até que tem um ou dois encantos. Mas o livro não causa aquela sensação de “não posso parar de ler”.

Algumas passagens atrapalharam – e muito – a manutenção do acordo ficcional com o livro: a CIA trata Langdon de forma condescendente, os personagens são mais ingênuos que personagens de filmes de terror prestes a morrer, caem em todas as armadilhas do bandido, e escapam de todas elas de forma absurda. Achei que o bandido se revelou cedo demais na história, poderíamos ter um pouco mais de mistério. O final não fugiu da previsibilidade: solução do mistério com algumas revelações feitas e algumas informações escondidas.

Como comentei também em diário de leitura, enquanto lia passava o filme todo, com Tom Hanks, claro, na minha cabeça. Acho que esse é o tipo de livro com potencial para virar um bom filme, no fim ele tem mais perfil de roteiro de Hollywood que de boa leitura.

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Serena, Ian McEwan

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  • Início: 03/08/2015
  • Fim: 26/08/2015
  • Tempo de leitura: 24 dias
  • Diários de leitura: 50, 51, 54, 56, 58, 59, 61, 63, 66, 70, 71, 72 e 73

Como comentei no diário de leitura 50, Serena foi meu primeiro Ian McEwan lido. Quem acompanhou os diários de leitura do livro já sabe: a leitura foi arrastada e eu não estava gostando muito do livro, mas tudo mudou no final. Mudou porque o último capítulo me fez repensar todo o livro e achei essa ideia muito boa.

O anúncio do livro o traz como um romance de espionagem, mas se você espera algo no estilo dos filmes de James Bond, pode esquecer. O ritmo do livro não tem nada parecido com livros de ação. Como comentei antes, ele é arrastado e passamos muitas páginas sem que nada aconteça. Até a metade do livro, a sensação é de que não aconteceu nada de relevante na história. Mesmo depois de algumas páginas do envolvimento de Serena com Tom Haley, continuamos achando que nada aconteceu. Aliás, eu, particularmente, acho que só aconteceu alguma coisa mesmo quase no final.

Bom, o resumo da história é: Serena, uma moça sem sal formada em matemática, mas apaixonada por literatura, envolve-se com um homem mais velho e acaba, influenciada por ele, arranjando um emprego no MI5, o serviço de segurança britânico. Seu papel no MI5 é como o de todas as outras mulheres de seu tempo: ela atua como secretária, catalogando e arquivando papéis. Sua fama de leitora ávida de romances lhe rende uma oportunidade: é chamada a participar de um projeto secreto, denominado Tentação, que tem como objetivo financiar autores nacionais com tendências anticomunistas. Detalhe, os autores financiados não podem saber de nada, devem escrever achando que tem total liberdade para manifestar suas opiniões políticas. Serena aceita o desafio, mas acaba apaixonando-se por “seu autor”. Os dois iniciam um romance e o peso do segredo de Serena fica pairando no ar. No fim, as coisas não dão muito certo: Haley acaba por escrever um romance que não atende aos desejos do MI5, mas que recebe um prêmio importante de literatura e sua fama repentina acaba trazendo à tona seu caso com Serena e o papel dela no serviço de segurança. Serena fica desesperada, já que ela não havia contato nada ao namorado. E é aí que temos a reviravolta do final, aquela que me fez voltar no tempo e repensar a história.

A personagem de Serena é difícil de desvendar. Comigo, pelo menos, não rolou empatia. Em alguns momentos a vontade era de dar uma chacoalhada nela para tirá-la do estado de apatia de sua vida. Aliás, ainda hoje não decidi se gostei ou não dela. De Tom não gostei muito no começo, mas acabei mudando de opinião no final.

Sei que o post está parecendo meio confuso, mas acho que isso é reflexo do meu sentimento em relação ao livro. Como eu disse, gostei do final e da visão que ele me fez ter sobre o livro, mas a leitura foi arrastada, demorada, entediante. Se eu fosse relê-lo agora, seria com outros olhos e isso talvez ajudasse a melhorar o processo de leitura. Mas aí o final já não teria mais o impacto que teve e isso não mudaria a minha impressão de leitura. Resumindo: não sei se recomendo a leitura ou não, dessa vez acho melhor deixar por conta e risco de cada um.

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Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto

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  • Início: 10/08/2015
  • Fim: 22/08/2015
  • Tempo de leitura: 13 dias
  • Diários de leitura: 57, 59, 60, 61, 62, 65, 68 e 69

Triste fim de Policarpo Quaresma foi lido como parte do desafio 100 livros de literatura brasileira. Não, ele não foi um dos livros de releitura. Sim, isso quer dizer que cheguei aos 32 anos sem ter conhecido Quaresma. Bom, ainda bem que tenho o projeto para reparar as “falhas de leitura” da vida né? 🙂

Ops, tem spoiler por aqui…

O básico da história eu já conhecia, mesmo sem ter lido: Policarpo é um patriota ao extremo que procura valorizar sempre o que é nacional, desprezando o que vem de fora. Tem amor pelos livros, mas sua biblioteca é composta apenas de autores nacionais. Aprecia a música, e decide, logo de início, aprender a tocar violão, a modinha genuinamente brasileira. Seus vizinhos e conhecidos o acham estranho, mas de uma estranheza inofensiva.

O problema começa quando, depois de muito dedicar-se aos estudos do tupi-guarani, a língua verdadeiramente brasileira, escreve um ofício ao ministro sugerindo que essa passe a ser a língua oficial do país. Considerado louco, acaba internado em um hospício, aonde recebe a visita apenas do compadre e da afilhada.

Ao sair do hospício, resolve seguir o conselho da afilhada e mudar-se para um lugar afastado. Compra um sítio ao que dá o nome de O sossego e muda-se para lá com a irmã. No sítio, dá vazão a sua nova empreitada patriótica: estudar botânica e aplicar seus conhecimentos em suas terras, vivendo apenas do que pode produzir. Enfrenta alguns “inimigos” nesse contexto: os políticos do povoado, que não se conformam com sua recusa a tomar parte na política e colocam vários obstáculos que o impedem de vender o que produz, e as formigas, que insistem em atacar sua produção e até sua despensa.

A terceira e última parte do livro traz Policarpo de volta à cidade para tomar parte na Revolta da Armada, ao lado do Marechal Floriano Peixoto, então presidente. Não há muito que fazer, mas Policarpo logo se convence da importância de sua atuação. Finda a revolta, acaba presenciando os exageros de punição cometidos contra os revoltosos e, em sua ingenuidade, sente-se no dever de alertar o ‘bom presidente’. Acaba preso sem entender bem o porquê e, sozinho, lamenta seu triste fim.

Policarpo foi uma leitura tranquila, mas não tão prazerosa como teria sido se fosse feita na adolescência, na fase em que livros de literatura brasileira escritos no final do império e início da república eram minhas leituras favoritas. Talvez fosse mais bem aproveitada, também, se feita dentro de um contexto educacional, em uma aula de literatura com acompanhamento do professor. Mas, como não posso voltar à adolescência e não pretendo frequentar nenhuma aula tão cedo, ficaremos com as minhas impressões de leitura leigas e feitas fora do tempo mesmo 🙂

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Eu, robô, Isaac Asimov

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  • Início:26/07/2015
  • Fim: 31/07/2015
  • Tempo de leitura: 05 dias
  • Diários de leitura: 42, 43, 44, 45, 46 e 47

Antes de começar, se você acha que sabe alguma coisa sobre o livro porque assistiu ao filme do Will Smith, assim como eu achava, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Temos aqui uma coincidência de nomes de personagens, mas a coisa não vai muito além disso.

O livro é uma coletânea de contos escritos por Asimov e publicados em periódicos de ficção científica nas décadas de 1940 e 1950. A organização cronológica dos contos traz uma visão do desenvolvimento da robótica ao longo dos anos. Dessa forma, no primeiro conto temos um robô doméstico (uma babá) que não pode sequer falar. No último, temos máquinas que controlam as decisões econômicas mais importantes para o funcionamento da sociedade. No meio, temos o desenvolvimento dos robôs, a aquisição da fala, dos movimentos mais apurados, da inteligência.

Pensei, no início, em fazer algo parecido com o post sobre A Bela e a Fera e comentar cada um dos contos, mas já desisti. Isso por que alguns deles achei meio chatos e outros eu simplesmente não entendi (e vamos admitir a “burrice” sem medo de ser feliz, rs). Vou comentar, portanto, apenas os meus preferidos 🙂

Gostei do primeiro conto, Robbie (o robô babá), pela relação dele com a menininha. O conto me lembrou bastante a primeira parte de O homem bicentenário. Na minha cabeça, o filme do conto (sim, eu sempre tenho um filme na cabeça quando leio) tinha Robin Williams e Hallie Kate Eisenberg como protagonistas.

Gostei também do conto Razão, no qual o robô Cutie questiona a sua origem, uma vez que considera impossível a criação de seres superiores – os robôs – por seres inferiores – os seres humanos. O questionamento feito por Cutie nos serve também de questionamento para os humanos…

[…] “nenhum ser pode criar outro ser superior a si mesmo” […]

“O Mestre criou os humanos primeiro como uma espécie inferior, feitos do modo mais fácil. Aos poucos, ele os trocou por robôs, a seguinte e mais elaborada etapa, e enfim me criou para ocupar o lugas dos últimos humanos.”

Por fim, o terceiro dos meus favoritos é o conto Mentiroso!. O conto nos apresenta a Herbie, um robô que consegue ler pensamentos e que acaba provocando uma boa confusão ao mentir para os humanos. Mas, eis que as mentiras contadas têm seu fundamento nas três leis da robótica em uma sacada sensacional.

Opa, isso me faz lembrar de mais uma coisa que livro e filme tem em comum: as três leis da robótica. As três leis da robótica são o fundamento da atuação dos robôs, são elas que nos permitem entender o comportamento dos robôs e, em mais de um conto, são elas que explicam o “desvio” de comportamento de determinado robô.

Por fim, o livro vale também pelo relacionamento da dupla Mike Donovan e Gregory Powell: dos diálogos entre os dois tiramos algumas importantes reflexões e as melhores piadas :-p

Shopaholic to the stars, Sophie Kinsella

Demorei a começar este post porque estava em dúvida se deveria fazê-lo ou não. E estava em dúvida porque esse é o sétimo livro de uma série que eu li inteira, mas comentei apenas o primeiro volume. Quem me conhece sabe que sou um tanto quando metódica e que, por essa razão, falar do último volume sem falar dos demais não é assim tão simples.

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Pensei em fazer um super post com todos os livros, mas minha memória não é assim tão boa e não guardei muitas informações sobre eles. Depois de muito pensar (e sofrer, porque meu TOC me faz sofrer, rs) resolvi fazer o post sobre o Shopaholic to the starts de uma vez – antes que eu perca as informações de leitura dele também – e reler os volumes anteriores da série para poder comentar todos eles bonitinhos no futuro. O primeiro volume já tem post no blog (clique aqui para ler), portanto, a maratona de leitura para posts vai começar no segundo volume. Aguardem os próximos capítulos dessa história 🙂

Mas, voltando à vaca fria…

Shopaholic to the stars, Sophie Kinsella

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  • Início: 14/07/2015
  • Fim: 24/07/2015
  • Tempo de leitura: 11 dias
  • Diários de leitura: 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 38 e 40

Dessa vez nossa protagonista atrapalhada está em um lugar que poderia ser considerado o paraíso para ela: Hollywood, morada das mais badaladas estrelas de cinema. A razão de estarem (ela, o marido e a filha) por lá é simples: Luke está trabalhando como relações públicas de uma dessas estrelas, a atriz Sage Seymour. Estrela essa que Becky ainda não encontrou pessoalmente. Agora, pergunta: porque Luke, sabendo o quanto seria importante para a esposa conhecer Sage, não apresentou as duas? Só porque ela provavelmente se comportaria como uma tiete maluca? Bom, eu na verdade acho que isso depõe contra o Luke, assim como várias outras ocasiões nas quais ele não dá valor para o que Becky considera importante. Fútil ou não, o comportamento de Becky faz parte de quem ela é, e disso ele já sabia desde o primeiro volume, certo? 🙂

Como sempre, as ideias malucas e armações de Becky a colocam em situações problemáticas das quais ela consegue se sair bem mais por sorte que por qualquer outra coisa. Um tanto quando autocentrada, ela não percebe os problemas que seu comportamento pode trazer para o marido, deixa a desejar na amizade com Suze e perde a chance de ajudar o pai.

Não que a Suze seja de todo vítima nessa história, já que ela passa por cima da amiga quando vira “extra” em filmes e depois acaba se aproximando da arqui-inimiga de Becky com a “desculpa” de que precisava desabafar com alguém.

Duas coisas que não gostei muito: (1) depois de sete volumes era de se esperar que Becky tivesse amadurecido pelo menos um pouquinho, mas não, ela continua a mesma Becky do primeiro volume. (2) O livro não acaba. Como comentei no diário de leitura #40, “ele não acaba com um possível gancho para uma continuação como os outros livros da série. Ele simplesmente não acaba! Nada se resolve ou responde…”. Fiquei consideravelmente irritada com isso (humpf). Agora, é claro, estou esperando ansiosa o lançamento do próximo volume para ver ler como a coisa toda vai acabar.

Outras coisas que gostei: como sempre, o forte é a comédia. Os primeiros capítulos do livro – Becky comprando as roupas e acessórios para participar de uma corrida de rua, sua chance de conhecer Sage Seymour, e depois as cenas dela durante a corrida – são hilários. As confusões em que ela e Suze se metem nos estúdios de Hollywood também rendem boas risadas. Esse último volume deu um pouco mais de destaque a outros personagens (Suze e Luke principalmente) o que eu achei bem legal, o foco não estava apenas nas loucuras de Becky, mas em seu relacionamento com o marido e a melhor amiga.

“Husbands should think the best of their wives, as a matter of principle.”

“Husbands should not memorize conversations, word for word. It’s against the whole spirit of marriage.”

“I mean, here we are in LA. The home of celebrities. They’re the local natural phenomenon. Everyone knows you come to LA to see the celebrities, like you go to Sri Lanka to see the elephants.”