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Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto

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  • Início: 10/08/2015
  • Fim: 22/08/2015
  • Tempo de leitura: 13 dias
  • Diários de leitura: 57, 59, 60, 61, 62, 65, 68 e 69

Triste fim de Policarpo Quaresma foi lido como parte do desafio 100 livros de literatura brasileira. Não, ele não foi um dos livros de releitura. Sim, isso quer dizer que cheguei aos 32 anos sem ter conhecido Quaresma. Bom, ainda bem que tenho o projeto para reparar as “falhas de leitura” da vida né? 🙂

Ops, tem spoiler por aqui…

O básico da história eu já conhecia, mesmo sem ter lido: Policarpo é um patriota ao extremo que procura valorizar sempre o que é nacional, desprezando o que vem de fora. Tem amor pelos livros, mas sua biblioteca é composta apenas de autores nacionais. Aprecia a música, e decide, logo de início, aprender a tocar violão, a modinha genuinamente brasileira. Seus vizinhos e conhecidos o acham estranho, mas de uma estranheza inofensiva.

O problema começa quando, depois de muito dedicar-se aos estudos do tupi-guarani, a língua verdadeiramente brasileira, escreve um ofício ao ministro sugerindo que essa passe a ser a língua oficial do país. Considerado louco, acaba internado em um hospício, aonde recebe a visita apenas do compadre e da afilhada.

Ao sair do hospício, resolve seguir o conselho da afilhada e mudar-se para um lugar afastado. Compra um sítio ao que dá o nome de O sossego e muda-se para lá com a irmã. No sítio, dá vazão a sua nova empreitada patriótica: estudar botânica e aplicar seus conhecimentos em suas terras, vivendo apenas do que pode produzir. Enfrenta alguns “inimigos” nesse contexto: os políticos do povoado, que não se conformam com sua recusa a tomar parte na política e colocam vários obstáculos que o impedem de vender o que produz, e as formigas, que insistem em atacar sua produção e até sua despensa.

A terceira e última parte do livro traz Policarpo de volta à cidade para tomar parte na Revolta da Armada, ao lado do Marechal Floriano Peixoto, então presidente. Não há muito que fazer, mas Policarpo logo se convence da importância de sua atuação. Finda a revolta, acaba presenciando os exageros de punição cometidos contra os revoltosos e, em sua ingenuidade, sente-se no dever de alertar o ‘bom presidente’. Acaba preso sem entender bem o porquê e, sozinho, lamenta seu triste fim.

Policarpo foi uma leitura tranquila, mas não tão prazerosa como teria sido se fosse feita na adolescência, na fase em que livros de literatura brasileira escritos no final do império e início da república eram minhas leituras favoritas. Talvez fosse mais bem aproveitada, também, se feita dentro de um contexto educacional, em uma aula de literatura com acompanhamento do professor. Mas, como não posso voltar à adolescência e não pretendo frequentar nenhuma aula tão cedo, ficaremos com as minhas impressões de leitura leigas e feitas fora do tempo mesmo 🙂

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