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Perto do coração selvagem, Clarice Lispector

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•    Início: 30/10/2015
•    Fim: 10/11/2015
•    Tempo de leitura: 12 dias
•    Diários de leitura: 138, 139, 140, 142, 145, 146, 147, 148 e 149.

Esbarrei, em algum dia de outubro, no blog Leia Ana, Leia, que eu curti bastante. A Ana, autora do blog, estava iniciando um projeto de leitura das obras de Clarice que eu achei bem legal e me convidei para participar.

O primeiro livro do desafio foi Perto do coração selvagem, também primeiro livro da Clarice Lispector. Comecei a leitura no final de outubro, e concluí no dia 10 de novembro. Normalmente, um livro curto como este levaria menos tempo para ser lido, mas não se deixem enganar: curtos os livros de Clarice podem até ser, mas são também de uma densidade que dá trabalho na leitura.

Quem acompanhou os diários de leitura sabe (e quem não acompanhou fica sabendo agora) que tive bastante dificuldade com a leitura: não foram poucas as vezes em que tive que voltar alguns parágrafos e ler tudo de novo para entender alguma coisa. E ainda assim não sei se posso dizer que compreendi 100% do livro, ou que vivi exatamente a experiência que se esperaria viver com ele.

Confesso que tenho a esperança de que até o final do projeto Lendo Clarice eu esteja melhor nesse sentido. Aí, quem sabe, começo tudo outra vez e, com mais experiência de vida compartilhada com a autora, o resultado pode ser melhor 🙂

Mas, voltando a Perto do coração selvagem, vamos ao que consegui absorver. A narrativa nos faz acompanhar a vida de Joana, de sua infância à vida adulta, passando por momentos de sua relação com o pai, os familiares e o marido. E mais, passamos por esses momentos junto com a própria Joana, já que o livro segue o padrão Clarice de fluxo de consciência: narrativa introspectiva, com poucos diálogos, alguns flashbacks e muito do que se passa na cabeça da personagem, seus medos, suas indagações, seus sentimentos e pensamentos.

A Joana dos flashbacks de infância é uma criança como qualquer outra: curiosa, questionadora, carente de atenção. Órfã de mãe, procura constantemente chamar a atenção do pai com suas perguntas que parecem desprovidas de sentido para um adulto, mas que fazem parte do universo infantil.

A Joana adolescente está descobrindo as sensações do corpo e da alma em contato com o mundo à sua volta. Causa estranhamento nas pessoas com as quais convive, principalmente na tia com quem mora desde que perdeu o pai.

A Joana da vida adulta continua inquieta, a sensação é de que ela não conseguiu adaptar-se à vida adulta. Ela questiona seu lugar no mundo, sua relação com as pessoas, a solidez de seus sentimentos. Parece estar em busca da felicidade, mas sem saber ao certo o que seria essa felicidade. Relaciona-se com o marido sem entregar-se de verdade. Otávio, o marido, tem também seu momento de narrador e percebemos que sua relação com Joana tem muito de força gravitacional e pouco de racionalidade. Tanto que os dois se entregam a outros na tentativa de manter contato com uma vida normal.

Pois bem, não sei se o que escrevi aí em cima significa que entendi alguma coisa ou que não entendi nada. Mas foi o que eu consegui “pegar” na narrativa. Quem aí já leu pode me ajudar a descobrir 🙂

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